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Escolas de samba: contrassenso ou lógica?

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Poderia ser útil e oportuno escrever sobre a mobilização social provocada pelo carnaval que muito tem feito em favor da diversidade e da tolerância, pelo menos nos dias de festa. Mas vamos aproveitar o momento para falar de negócios e gestão. O que as teorias clássicas e modernas da Administração poderiam falar sobre as escolas de samba?

Escolas de samba: contrassenso ou lógica?
Escolas de samba: contrassenso ou lógica?

Como as técnicas modernas de motivação e retenção de talentos podem explicar o fato de que pessoas se motivam a comparecer aos obrigatórios ensaios, repetidas vezes durante um ano, sem nenhuma recompensa monetária, bônus ou promoção no caso de uma vitória? Tampouco haverá algum prejuízo no caso de uma derrota, mas, ainda assim, todos oferecem o seu melhor desempenho para a “sua” escola.

O caminho da resposta é que as escolas de samba são capazes de despertar o sentido de unidade. Aquelas pessoas estão convictas de que elas são imprescindíveis para o sucesso do grupo, do conjunto que depende de cada uma delas: da voz que canta o enredo, do sorriso que mostra leveza e da coreografia ensaiada que passa uma mensagem. Tudo isso, devidamente harmonizado com quem está ao seu lado, sem atritos.

Esse sentimento garante e move todos os recursos necessários para a concretização da meta estabelecida para o grupo. Sim, pois não há uma meta individual. Há a meta do grupo. E não há plano B. O único plano é vencer.

Assim, assistir aos espetáculos de gestão proporcionados pelas escolas de samba tem que nos fazer refletir sobre o real sentido dos malabarismos técnicos e teóricos que estão sendo aplicados nas organizações. Tais expedientes podem ser úteis, mas o comprometimento visto nas escolas de samba responde, apenas e tão somente, ao sentido de pertencimento. Lá, todos sentem-se essenciais, indispensáveis. E isso não é pouco. Esse é o sentido que todos os profissionais procuram em suas atribuições diárias.

E não estamos dizendo que lá não há técnica, muito ao contrário. É possível enxergar conceitos de produtividade no uso dos recursos; reciclagem e reaproveitamento de materiais são lições de sustentabilidade; técnicas de logística, física e engenharia são primordiais nas alegorias; logística está presente na distribuição e no recolhimento das fantasias; a tecnologia inova com efeitos especiais; sem esquecer do marketing representado no valor da marca de cada escola, invariavelmente associada à uma localidade que lhe garante a fidelidade de seus moradores.

Definitivamente, temos muito a aprender com as escolas de samba. As lições deixadas na avenida devem ser inspiração para muitos gestores, deve ser pauta de importantes reuniões e, quem dera assim, sejamos capazes de fazer com que nossas organizações despertem tamanho orgulho e satisfação aos seus integrantes. O sucesso não é acaso ou contrassenso. É fruto da lógica de que o ser humano precisa ser reconhecido.

Gleriani Ferreira, Professora de Sustentabilidade

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